5 de setembro de 2011 | Geral
OBAMA: MARCADO PARA MORRER!
Romulo F. Federici
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É impossível entender o fenômeno da eleição do Presidente OBAMA e, em contrapartida, sua atual trajetória de queda, sem uma análise das características básicas do Estado americano, sua história política mais recente e das tendências prevalentes.
Vamos tentar fazer isso da maneira mais sucinta possível.
Trocando idéias com um colega norte-americano sobre o processo de “emparedamento” do Presidente OBAMA pela ala radical do Partido Republicano, representada pelos membros do famigerado “TEA PARTY”, anotei algumas de suas considerações que julguei importantes.
Após fazer um amplo relato dos fundamentos que nortearam a formação do país a partir das colônias (objeto de um futuro comentário nosso), concluiu ele dizendo que “os Estados Unidos não são um país para pobres, mas um país com toda prioridade voltada para apoiar aqueles que tiveram sucesso na vida e fizeram fortuna ou, pelo menos, um bom dinheiro”.
Ressaltou os principais pontos abaixo, difíceis de serem contestados:
A “herança maldita” herdada por Obama:
- A sociedade americana é “darwinista”, ou seja, adepta da “seleção natural” pela qual os fortes sobrevivem e os “fracos” morrem e/ou ficam pelo caminho.
- Os efeitos da política Republicana:O objetivo dessa cultura política seria turbinar o potencial produtivo do país que, em conseqüência, geraria riquezas capazes de atenuar os níveis de pobreza sem que o governo e, conseqüentemente, os contribuintes, principalmente e elite rica, tivessem de ter despesas.
- Até funcionou durante certo tempo. Mas depois, ano após ano, os resultados foram se mostrando negativos, pois todos os índices de aferição de performance econômica, financeira e social experimentaram degradação.
- A economia americana desindustrializou-se sob o pretexto de que era barato e, portanto, interessante transferir as atividades fabris “menos nobres” para as maquiladoras mexicanas ou para países subdesenvolvidos ou emergentes, principalmente asiáticos.
- Aos americanos caberia reter o “Know-How”, a inteligência dos processos enquanto os subdesenvolvidos ficariam “apertando parafusos e dobrando chapas”.
- O problema é que, gradativamente, os “apertadores de parafusos” foram aprendendo e copiando a “inteligência” dos processos de concepção dos produtos e passaram a independer, em muitos casos, do “Know-How” americano. Os chineses são o melhor exemplo disso.
- Com a transferência das indústrias para o terceiro mundo, os empregos também migraram dos Estados Unidos para os outros países instalando-se altos níveis de desemprego e subemprego.
- O fosso entre ricos e pobres vem aumentando dramaticamente assim como o número de pobres, num rumo perigosamente terceiro-mundista.
- Apesar de tudo, o país continuou a gastar desbragadamente, muito mais do que arrecadava criando um rombo nas contas públicas que vem crescendo sem freios e, portanto, sem parar.
- Paralelamente, os americanos continuaram a gastar como nos bons tempos, criando níveis de inadimplência que alimentaram, entre outras coisas, a famigerada “bolha imobiliária”.
- “Velhos hábitos modificam-se apenas lentamente. Uma família que foi nobre, rica e poderosa não vai se comportar como uma família pobre logo que perca riqueza e poder. Os americanos continuarão a se comportar como se estivessem no centro do mundo ainda por longo tempo” (Vito Tanzi em “ESTADO CRÍTICO”- REVISTA EU& – VALOR ECONOMICO n◦ 566).
- A degradação econômica e financeira americana produziu o absolutamente inacreditável: fez o país perder a classificação do AAA (triple A) deixando de ser um devedor “absolutamente seguro e confiável”, despertando desconfiança do mundo todo.
A eleição de OBAMA;
O presidente OBAMA foi eleito em mais um desses espasmos democrata que o eleitor americano pratica de tempos em tempos quando a conjetura fica mais complicada, na esperança de uma mudança do modelo político e social que, diga-se de passagem, dificilmente ocorrerá.
De fato, o festejado “YES WE CAN”, insinuando um pretensioso “sim podemos mudar”, tão aclamado durante sua campanha pela grande massa, esbarrou no poder do “establishment” sócio-político americano. Essa elite é quem manda no país e é constituído por um conservadorismo em alto grau sem contrapesos eficientes.
Essa elite, no entanto, ficou muito assustada com o brilhantismo (efêmero) da campanha do atual Presidente OBAMA, e colocou em marcha um contra-ataque fulminante que podou os seus poderes e diminuiu, dramaticamente, suas chances de mudar alguma coisa de forma relevante.
Acionou seus dispositivos na mídia que, com poucas exceções, submeteram o novo Presidente a um fogo cerrado.
Um exemplo, segundo analistas, é Rupert Murdoch empresário australiano, naturalizado americano, acusado de corrupção, escutas telefônicas ilegais e intrusão em mensagens privada no Reino Unido e em outros países onde opera. É dono da FOX NEWS, canal de TV de linha hiper conservadora e acusado de “comprar” analistas políticos e econômicos e de parcialidade nos noticiários.
A força da mídia americana, reprisada até fora dos Estados Unidos, está conseguindo corroer a imagem do Presidente OBAMA que, de robusto reformador está sendo transformado num ingênuo e despreparado Presidente.
Este conjunto de fatores produziu um força destrutiva localizada no ambiente político.
O susto dos conservadores e o crescimento do “TEA PARTY”:
A vitória do OBAMA foi um susto aterrorizador para os mais conservadores, pois se viram diante da possibilidade de consolidarem-se no Governo, alguns fantasmas que lhes tiram o sono tais como:
- Maior controle do Estado sobre a economia, principalmente sobre as atividades financeiras em geral em virtude da hecatombe mundial que estas produziram após anos sem vigilância adequada.
- Aumento de gastos sociais com a implementação de serviços de assistência e atendimento médico aos mais necessitados.
- Aumento de impostos principalmente sobre os setores mais ricos da sociedade, como estão fazendo os Europeus e com o que concordaram, inclusive, importantes milionários americanos, conscientes da insustentabilidade da situação atual no longo prazo.
- Mudança de uma linha eminentemente conservadora por uma linha mais social.
Isto para os republicanos é pura heresia.
Em alguns estados com no TEXAS, espalharam-se “outdoors” com dizeres acusando OBAMA de ser SOCIALISTA sobre fundo vermelho.
Mas os reflexos dessa postura radical foram tão graves que acabaram racharam o próprio PARTIDO REPUBLICANO, dividindo-o em duas alas: Os republicanos tradicionais com os níveis conhecidos de conservadorismo, sem chegarem a ser grotescos e os tresloucados membros do “TEA PARTY”, conservadores histéricos.
Este fenômeno fez com que o “TEA PARTY”, até então considerado, apenas, um clubinho de gente excêntrica, hiper-conservadoras e inconseqüente, em força política real, capaz de tumultuar o ambiente político e a própria governança.
O “clubinho” agora já está se organizando para lançar candidato a candidato à Presidência da República pelo PARTIDO REPUBLICANO.
MICHELLE BACHMANN, um dos candidatos, vem primando pela asneiras que vem dizendo, inclusive que o último furacão foi um castigo de Deus contra aqueles que governam os USA.
Já o texano RICK PERRY é bem mais esperto. Como diz o comentarista CAIO BLINDER em seu site, “agora que Rick Perry é candidato à presidência dos EUA, os liberais deverão abusar de uma piada decente: você sabe como diferenciar o atual governador do Texas do ex-presidente George W. Bush, seu antecessor no cargo? Resposta: Bush é o texano esperto. Mas Perry não tem nada de bobo. (…) Perry não se constrange do seu robusto conservadorismo e esbanja carisma.
Apesar da ginga e sotaque do Texas, ele está mais para Sarah Palin (e o que ela fará agora? Mais passeio de ônibus pelo país?) do que para o desacreditado Bush”.
O balanço final:
A força da imprensa e a demora na implementação de mudanças, sempre dificílimas nos Estados Unidos, mexeu com o caráter volúvel do eleitorado americano. A primeira resultante disso tudo está na derrota de OBAMA nas eleições para a Câmara dos Deputados e a conseqüente perda da maioria para os Republicanos.
Isto significa que o Presidente ficou amarrado e submetido ao humor dos republicanos tendo como resultante o empobrecimento de seu governo que não terá condições de cumprir as promessas de campanha nem, muito menos, proceder às reformas que foram seu carro chefe.
Uma reeleição ainda é possível, mas, de tranqüila e certa, passou a preocupante e ainda incerta.
O crescimento espalhafatoso e ridículo do “TEA PARTY” pode chocar o eleitor e, eventualmente, atuar no sentido contrário, capitalizando votos para OBAMA.
Mas se os republicanos aparecerem com um candidato consistente, mais equilibrado, com propostas palatáveis, encontrará um adversário enfraquecido, um Presidente pouco convincente.
Neste caso, OBAMA estará marcado para morrer, provavelmente não com uma bala na cabeça como os KENENNEDY, mas derrotado e liquidado politicamente.



