A PERSONALIDADE DO ANO

A PRESERVAÇÃO DOS PODERES DO CNJ MELHOROU O BRASIL

MOTIM NA BAHIA

Realmente a atuação do Exército no motim da PM baiana foi absolutamente exemplar. Sem arrogância ou truculência mas com extrema eficiência, atuou com base em refinado serviço de inteligência, alto nível de profissionalismo, muita serenidade mas sem concessões politiqueiras.

Executou as manobras de exaustão física e emocional dos amotinados e conseguiu a rendição de todos. Fica o exemplo para todos, inclusive PMs despreparadas e precipitadas em ações contra movimentos coletivos.

Mulher de bombeiro preso no Rio diz que ele foi à Bahia negociar fim da greve #UOL. AGORA TODOS SÃO “BONZINHOS”. APLIQUE-SE A LEI.

O PM que quiser fazer greve, o que é ilegal, deve dar baixa e arranjar emprego como VIGILANTE DE BANCO. Aí pode … é simples.

PT E PSDB PECARAM NA BAHIA

MOTIM da PM/BAHIA: PT pecou pelas trapalhadas do Governador WAGNER. PSDB constrangido porque um filiado seu foi o lider da baderna. Patético!

Os pronunciamentos do Deputado ACM NETO durante o MOTIM dos PMs na Bahia foi uma das notas mais grotescas … tão grotescas que ele resolveu “mergulhar” e sair de cena.

CNJ

O BRASIL FICOU MELHOR.

PODERES DO CNJ-CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, PARA FISCALIZAR O JUDICIÁRIO, FORAM PRESERVADOS.

VENCEU A TENACIDADE DA CORREGEDORA ELIANA CALMON E A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.

VENCIDOS O GRUPO DE MAGISTRADOS MAIS CONSERVADORES.

MAS CUIDADO, NOVOS ATAQUES VIRÃO.

A votação no STF sobre a INDISPENSÁVEL autonomia do CNJ revelou que o tribunal está dividido em dois grupos. Os “conservadores”, apegados à preservação do manto de proteção e segredos do judiciário e os “progressistas” que já entenderam ser impossível não ouvir os brados de alerta da opinião pública e do país como um todo no sentido de se abrir a “caixa preta” e democratizar o Poder Judiciário. A grande decepção foi o Ministro LUIZ FUX, recém nomeado, jovem e do qual se esperava posição mais arejada.

MAIS UMA VEZ AS MULHERES FIZERAM A DIFERENÇA:

O voto das Ministras mulheres STF foi decisivo para afastar as ameaças à soberania do CNJ, indispensável às instituições brasileiras.

A Justiça com a Justiça foi feita pelo próprios magistrados, através do voto da maioria (mesmo que apertada) dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.

PODER DO CNJ CONFIRMADO COM VOTO BRILHANTE DE GILMAR MENDES

“Até as pedras sabem que as corregedorias não funcionam para investigar os próprios pares. Quando se exige que o processo comece na corregedoria do tribunal, se quer transformar o CNJ num órgão de correição das corregedorias”

O Min. Gilmar Mendes lapidou uma frase que entrará para a história do mundo Jurídico ao dizer, abertamente, aqui…

ELITE FINANCEIRA DE WALL STREET DESPEJA DÓLARES NA CAMPANHA DE ROMNEY

A chuva de dólares da elite financeira americana nos cofres da campanha de Romney não é novidade alguma. Ele é aquele que diz que pobres não são sua prioridade e representa, confessadamente, a parcela rica de 1% que paga 14% de imposto contra cerca de 30% pagos pelos 99% que formam o povo norte americano. Essa distorção que se acentuou depois do Governo Ronald Reagan e se solidificou após o governo BUSH não será eterna e em algum momento desaba. Até lá o povão vai continuar penando e torcendo para que OBAMA não seja derrotado ou morto.

OS REPUBLICANOS PARECEM O PSDB

Os Republicanos, até agora, estão atordoados como absolutamente atordoada está a agônica oposição no Brasil, liderada pelo PSDB.

Lá como cá está difícil fazer oposição.

Lá porque os Republicanos esgotaram todo o estoque de desmandos, loucuras, insensibilidade social e desperdícios nos últimos governos que participaram.

Aqui, o PSDB não se entende e suas alas, “serristas” e “acecistas” se engalfinham como dondocas histéricas disputando o aparecimento em capa da revista “CARA”.

E não se entende porque fica difícil arranjar temas de campanha e, mais difícil ainda arranjar propostas diferentes do que está sendo feito com elevadíssimos índices de aprovação da opinião pública.

A catilinária da “corrupção” não cola porque todos têm telhado de vidro, sem exceção. Não tem ninguém melhor que ninguém.

A saída seria o SERRA voltar a ser prefeito, sumir da cena federal, e deixar o AÉCIO tentar reorganizar uma estratégia de MÉDIO e LONGO prazo.

Mas existem dois problemas: SÃO PAULO não deixa, porque não abre mão do controle férreo e centralizado do partido e, porque AÉCIO, como disse FHC, não conseguiu, ainda, fazer seu discurso (pouco brilhante) ultrapassar as paredes do plenário do Senado.

Brasil vai romper acordo automotivo com o México, diz jornal

economia.uol.com.br

O governo brasileiro vai romper o acordo automotivo mantido com o México devido ao deficit crescente no comércio de automóveis

Por um lado deve ser considerado que a “indústria” no MÉXICO ainda não passa de “maquiladora”, ou seja, importa quase todos os componentes e os monta. Só “apertam parafusos e dobram chapas”, como se diz.

Os carros “mexicanos” mal alcançam 30% de “componentes nacionais”, quase tudo partes de pouco valor agregado. Uma festa para a indústria americana e européia que exporta para lá quase todos os componentes dos carros, retendo seus empregos.

Fizeram do MÉXICO um verdadeiro “entreposto” para exportação de suas manufaturas para o Brasil, sem investir nem ter de fabricar componentes aqui.

Por outro lado, ficaremos privados de uma competição para as montadoras aqui instaladas que têm uma tendência incontrolável de fabricar carroças assim que não se sentem ameaçadas. Pior, os carros “mexicanos” poderão chegar aqui ainda a preços competitivos, como aconteceu com os COREANOS e CHINESES, mesmo pagando mais imposto. A chance é menor mas pode ocorrer!

Ligado ao PMDB, diretor-geral do Dnocs pede demissão

www1.folha.uol.com.br

O PMDB cumpriu a liturgia. Reclamou, berrou, ameaçou no estilo da velha política coronelista mas acabou fazendo acoro porque ninguém quer largar o governo, principalmente com uma Presidenta com o maior índice de popularidade que se conhece.

Ligado ao PMDB, diretor-geral do Dnocs pede demissão

www1.folha.uol.com.br

O diretor-geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), Elias Fernandes, pediu demissão nesta quinta-feira (26) após relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) apontar irregularidades em sua gestão.

Rita Lee anuncia despedida dos palcos

Uma pena! RITA LEE é uma musa, compositora refinada e intérprete absoutamente brilhante e envolvente. O tempo cobra, perversamente, seu preço mas ela já está bem acomodada na história da música brasileira. SEJA FELIZ!

Rita Lee anuncia despedida dos palcos

www.valor.com.br

SÃO PAULO – A cantora Rita Lee vai se despedir dos palcos no próximo sábado (28). Um show agendado para Aracaju será sua última apresentação ao vivo, 42 anos depois do lançamento de seu primeiro álbum solo. A própria artista, de 64 anos, disse que vai parar de fazer shows ontem à noite, durante apre…

PARABÉNS SÃO PAULO PELO SEU ANIVERSÁRIO

PARABÉNS SÃO PAULO – Este fluminense de Niterói que vos fala tem mais de 20 anos morando e/ou trabalhando e/ou frequentanto esta cidade fantástica! Se o hemisfério norte tem N. YORK, o hemisfério sul tem São Paulo. Sempre que chego aqui me sinto muito bem … muita energia, muita educação, muito compromisso, muitos amigos. ADORO ESTA CIDADE! Abração S. PAULO. Mas para também não ser injusto … O Rio de Janeiro continua lindo, agora, então, lindíssimo, muito mais seguro e, como sempre cosmopolita.

MENSAGEM A UM AMIGO

Transcrevo abaixo mensagem enviada a um querido amigo que participou das piadas macabras quando foi anunciado câncer do Lula.

Meu caro amigo,

FHC e LULA são as maiores vítimas de discriminação politicamente construída.

FHC sofreu diante de oposição raivosa de uma ala da esquerda histérica que conseguiu, de certa maneira, rotular-lhe de representante dos “privilegiados”, apesar da enorme contribuição que deu à estabilidade do país gerando, inclusive, o início da distribuição de renda que hoje garante mercado interno que, por sua vez, nos “vacina” contra os picos das crises mundiais.

LULA sofre diante de oposição raivosa de uma ala da direita histérica que conseguiu, de certa maneira, rotular-lhe de despreparado, apesar da enorme contribuição que deu ao desenvolvimento do país, ampliando, inclusive, a distribuição de renda que hoje, consolidada e crescente, garante mercado interno que, por sua vez, nos “vacina”contra picos das crises mundiais.

Ambos foram acusados de lenientes com a corrupção pelo fato de terem ocorrido casos graves de corrupção nos seus governos (PRIVATIZAÇÕES e MENSALÃO, entre outros, por exemplo) e por terem abrigado em suas gestões personalidades questionáveis como SERJÃO e JOSÉ DIRCEU. Evidentemente visões simplistas, despidas de análise abrangente e contagiadas pelo facciosismo de paixões políticas exacerbadas (demodés).

Esperamos, fortemente, que FHC tenha boa saúde, mas em caso de eventual enfermidade ou ao final de sua vida, seja respeitado como foi o inesquecível MARIO COVAS. Respeitado por todos de todos os credos políticos.

Esperamos, fortemente, que LULA tenha boa saúde, mas que, durante sua enfermidade ou ao final de sua vida, seja respeitado como foi o inesquecível JOSÉ DE ALENCAR. Respeitado por todos de todos os credos políticos.

Ambos não estão livres da crítica, mas existe um limite, um nível abaixo do qual não deveu atuar.

O lamentável é assistir o apedrejamento de uma personalidade,  seja ela FHC ou LULA, apenas por discordar de sua linha política.

Mas, sejam elas quais forem, respeitemos todas as manifestações pois elas falam por sí.

Saudoso abraço

FLAMENGO: MAIS DO MESMO …

SOU CONSELHEIRO DO FLAMENTO e tenho muito orgulho disso. Tenho participado de todas as reuniões que posso tentando dar minha parcela de colaboração em decisões importantes para o clube que, sinceramente, depois de tantas diretorias escabrosas, só existe hoje pela sua mística inigualável, a garra de todos os rubro-negros e uma administração, liderada pela PATRICIA AMORIM que vinha numa linha de gestão razoável, o que já muito em termos de futebol brasileiro.

No conselho atuamos mais em decisões administrativas, financeiras e estratégicas e menos no dia a dia do futebol  que só freqüenta nossas reuniões para análise de temas muito relevantes.

Como dizia, PATRICIA AMORIM vinha merecendo meu apoio no CONSELHO porque estava desenvolvendo uma administração diferenciada, fora dos padrões ineptos e tenebrosos que vigoram no futebol brasileiro, mais um pouco mais próxima das regras vigentes e grandes clubes estrangeiros, ainda anos-luz à frente.

No entanto a demissão do LUXEMBURGO e a contratação do JOEL SANTANA demonstram que, na área do futebol, venceu a corrente do MAIS DO MESMO, ou seja, abandona-se um projeto de gestão de longo prazo, que contraria interesses e exige seriedade no relacionamento, para se retornar o velho esquema da “barrigada”, da falta de hierarquia, o técnico puxando o saco e “engolindo sapo” dos considerado craques. Foi reimplantada a DITADURA DO CRAQUE, que pode tudo e que faz parte da história do futebol brasileiro e é causa do mesmo estar desmoronando frente aos clubes estrangeiros bem estruturados, com administração técnica e hierarquia preservada.

É  lógico que faltou sabedoria a LUXEMBURGO para temperar suas ações sabendo que no tresloucado futebol brasileiro a mudança tem de ser gradativa. Faltou sabedoria para entender que a cabeça dos “craques”, com os bolsos cheios de dinheiro, boêmios, cercados de mulheres e tudo o mais que rola na noite não vai mudar NUNCA, porque lhe faltam condições pessoais para isso. Faltou sabedoria para saber que na hora do choque quem sobra é o técnico, já que a cultura do torcedor brasileiro, normalmente um ingênuo, é imediatista e só quer saber dos resultados efêmeros do próximo final de semana e não atina para os resultados de médio e longo prazo.

Esse retorno à bagunça e à licenciosidade, foi mais um importantíssimo passo para uma derrota na COPA.

Vamos ter de aturar a figuraça do JOEL SANTANA e rezar para que a coisa não piore … PODE TOBE ….

Como CONSELHEIRO DO MENGÃO, meu apoio a PATRICIA continuará, mas de forma não tão entusiástica.

Oremos …

COMPRA DE AVIÕES PELA FAB

A compra de armamento por uma nação relevante é muito diferente que uma compra comum em supermercado onde se olha a etiqueta para ver qual a opção mais barata entre produtos similares.

Um país, ao comprar armamento, principalmente aviões de combate, tem duas opções: faz o que se chama de “COMPRA DE PRATELEIRA” ou faz uma compra estratégica com RECIPROCIDADES, em níveis variados.

O CHILE, por exemplo, um país que é e continuará sendo geopoliticamente irrelevante (economia equivalente a Campinas, SP) comprou uma esquadrilha de F-16 Fighting Falcon, numa “COMPRA DE PRATELEIRA”, ou seja, comprou aquela versão de exportação que os USA tem “na prateleira” para vender aos estrangeiros pouco exigentes ou pouco relevantes através de programas especiais de vendas militares.

Não teve acesso a nenhuma transferência de tecnologia, vai ter de importar todos os parafusos que precisar, recebeu apenas os armamentos básicos que os americanos deixaram (retiveram os mais relevantes). Acesso aos códigos fonte? Nem pensar.

São compras as compras mais baratas.

Os países mais relevantes, como BRASIL, ÍNDIA, TURQUIA, etc … fazem compras estudadas com muito maior profundidade onde a transferência de tecnologia é um dos fatores principais de decisão.  São países que buscam diminuir a dependência de países estrangeiros, absorvendo tecnologia e para se tornarem, o mais possível independentes.

Os países relevantes são profundamente exigentes em termos da qualidade na fabricação, no pós venda, na garantia de assistência e peças de reposição de acordo com o que ficar acordado. Se um fornecedor faz aviões fantásticos mas não preenche essas exigências não terá chance.

As especificações dos aviões também são sob medida com painéis especiais no “cockpit”, dispositivos sofisticados de navegação militar, autodefesa, radares e armamento dentro dos parâmetros estabelecidos pelo o comprador e passíveis de “link” com o sistema de defesa aérea existente no país.

Ademais, os compradores de peso exigem a possibilidade de abertura do CÓDIGO FONTE para fazerem as modificações que julgarem necessárias. Só os compradores muitíssimo importantes conseguem isso. É outro departamento.

A transferência de tecnologia e as condições de “off set”, inexistentes nas compras de “prateleira” representam que o país VENDEDOR das aeronaves transferirá ao país COMPRADOR, a tecnologia de construção de grande parte dos componentes da aeronave e mais, fica obrigado a comprar no país cliente partes e produtos equivalentes a grande parte do valor da venda, senão o valor total.

A transferência de tecnologia significa a transferência pelo VENDEDOR ao COMPRADOR, de “know-how”, patentes e processos que custaram muito caro para serem desenvolvidos através dos anos e valem uma fortuna. Portanto têm de receber algum valor em troca.

Transferência de tecnologia custa dinheiro, mas é condição básica, essencial imposta pelo BRASIL em compras militares, já que o país quer, gradativamente, se tornar auto-suficiente na area.

Existe uma infinidade de outros fatores mas não há tempo nem espaço para que eu entre mais a fundo na matéria. Mas, se você se interessa pelo tema, não se limites a ler revistas, blogs ou notícias na imprensa porque lá só aparecem dados mais superficiais.

A análise de cada avião, suas características táticas e/ou estratégicas e sua compatibilidade com os objetivos desejados é outra etapa extremamente complexa mas isso ficara para uma outra oportunidade.

Para se sair do nível de palpites e entrar na esfera de opiniões consistente, há necessidade não só de estudos mais profundos, mas, também e PRINCIPALMENTE, VIVÊNCIA E CONVIVÊNCIA PESSOAL NA ÁREA MILITAR E POLÍTICA, pois os políticos, hoje em dia, detêm poder no encaminhamento de decisões militares.

Para simplificar: pense num automóvel básico, “pelado” e nesse mesmo automóvel na versão TOP, “completíssimo”, com tudo que tem direito e até “tunado” … É isso.

Há décadas venho cumprindo essa liturgia pois, sem isso, nada feito. Vá em frente. Abraço

VALE A LEITURA (texto longo mas vale a pena)

Roberto Amaral

21.12.2011 10:00

O complexo de vira-latas, ontem e hoje

“A ponte Rio-Niterói é, portanto, uma linda obra turística, cuja prioridade não se justifica em um país de escassos recursos que se defronta com necessidades berrantes que aí estão nesta mesma região do País, clamando pela ação do Governo”.

Eugênio Gudin, O Globo, 2/3/1974

Foi Nelson Rodrigues, em crônica às vésperas da Copa do Mundo de 1958 (Manchete esportiva, 31/5/1958), quando a seleção brasileira partia desacreditada para a disputa na Suécia, quem grafou o conceito de “complexo de vira-latas”, resumo de um colonizado e colonizador sentimento de inferioridade em face do estrangeiro e do que vem de fora, seres e coisas, ideias e fatos.

Impecável a definição, cujas raízes nos levam à empresa colonial e ao escravismo, à dependência cultural às diversas Cortes que sobre nós reinaram e ainda reinam.

Peca, porém, o teatrólogo genial e reacionário militante ao atribuir tal “complexo” a um fenômeno nacional, como se fosse ele um sentimento de nosso povo, de nossa gente, pois nada é mais povo brasileiro do que o torcedor de futebol.

Esse sentimento existe, mas regado pela classe dominante brasileira, desde a Colônia, que sempre viveu de costas para o país e com os sonhos, as vistas e as aspirações voltadas para a Europa. Terra de “índios desafeitos ao trabalho”, de “negros manimolentes e banzos” e “europeus de segunda classe”, nosso destino, traçado pelos deuses, era a de eternos coadjuvantes. História própria, industrialização, destino de potência… ah, isso jamais!

Nem no futebol, pois havíamos perdido as copas de 1950 e 1954 justamente porque éramos (eram nossos jogadores) um povo mestiço.

Pensar grande, pensar na frente, projetar-se no mundo e na História, isso é coisa de visionários ou políticos “populistas”.

Tal cantochão reacionário foi construído pelos pensadores dos interesses dominantes (desde os que no Império advogavam o “embranquecimento da raça” e por isso, só por isso, chegaram a admitir a abolição da escravatura), e ainda hoje é o refrão da direita impressa.

Para essa gente, o destino de nosso país era o de exportador de café e importador de manufaturas (“porque produzir aqui se podemos importar o produto estrangeiro, melhor e mais barato?”), e agora é o de exportador de soja e minério in natura. Amanhã, que os fados nos protejam, o destino que nos devotam é de exportadores de óleo bruto, como o Iraque, o Irã, a Venezuela, a Arábia Saudita…

O único engenho concedido ao nosso povo é o carnaval, comercializado pela tevê monopolizada. Mas dizem ao nosso povo os jornalões que não temos capacidade de construir meia dúzia de estádios.

Mesmo o futebol entrou em questionamento, depois que o Santos caiu de quatro nos gramados japoneses. A grande imprensa agora prescreve que o futebol brasileiro precisa reaprender com o catalão, repleto de atletas estrangeiros, inclusive, brasileiros…

Um bom representante desse pensamento conservador – que no Império ceifou pioneiros como Mauá – é Eugênio Gudin, criador (ao lado de Octavio Gouvêa de Bulhões) do ensino da economia em nosso país, e fundador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas. Monetarista e anti-desenvolvimentista, anti-varguista e anti-juscelinista, iluminador do moderno neoliberalismo brasileiro, combatia a intervenção do Estado na economia, o apoio (com incentivos ou o que fosse) à industrialização, e defendia com unhas e dentes, desconsiderando a realidade objetiva, o equilíbrio financeiro e a austeridade fiscal.

Gudin, como a maioria dos economistas, gostava de falar em “custo de oportunidade”, que procura medir o que poderia ter sido feito em saúde, educação e mais isso e mais aquilo, com os gastos de determinada obra ou melhoramento. Por exemplo, quanto poderíamos ter investido em saúde se não investíssemos na transposição do São Francisco, em que pese ao preço de deixar à míngua milhões de brasileiros do semi-árido nordestino…

Por isso, Gudin, como a classe dominante e a direita impressa, foram contra Brasília e mesmo contra a ponte Rio-Niterói, e são, agora, contra o trem-bala que ligará Campinas-São Paulo ao Rio de Janeiro.

Ainda na ditadura, um falecido jornalão carioca insurgiu-se contra as obras do metrô em nossa cidade, sob o tacanho argumento de “que ainda não haviam sido esgotadas as possibilidades do trânsito de superfície”.

Chateaubriand, nosso Cidadão Kane, mobilizou sua cadeia de jornais e rádios para combater os investimentos da União na triticultura gaúcha “porque era muito mais barato importar trigo dos EUA’”, que então renovavam seus estoques de guerra.

Agora mesmo há os que julgam desperdício os investimentos em hidroelétricas e em Angra III.

Ora, em país que de tudo carece, tudo é urgente e igualmente tudo é adiável. Mais importante do que o “custo de oportunidade” é a oportunidade do investimento, ainda que signifique o atraso de obras e serviços “inadiáveis”.

Assim foram os investimentos dos anos 50 na Petrobras (que Gudin e outros consideravam um desperdício, até por que “o Brasil não possuía petróleo”) e a seguir os investimentos da estatal em pesquisa, de que a prospecção em águas profundas é apenas um dos frutos. Aos míopes daquele então, pergunto: que seria o Brasil de hoje dependente da importação de petróleo? Que será o Brasil de amanhã sem energia elétrica?

Aí então é que não podemos pensar em saúde e educação universais. Mas, para os áulicos do conservadorismo, tudo o que significa investimento com vistas ao futuro deve ser adiado, como supérfluo. Daí o desmantelamento tecnológico de nossas forças armadas, daí o atraso da indústria nuclear, daí o atraso na indústria espacial, daí o atraso na produção de fármacos, na recuperação das ferrovias.

Paremos aqui, pois o rol é interminável.

O Brasil de hoje mostra a relevância dos “injustificáveis investimentos” na construção de Brasília (incorporando à economia mais da metade do território nacional) e da ponte Rio-Niterói, a qual, aliás, já dá sinais de saturação.

Todo mundo pode construir seu trem-bala. Podem o Japão, a China, a Itália, a França, a Espanha… mas o Brasil, não, pois aqui “há outras necessidades exigindo recursos”. E na China e na Espanha por acaso já não há mais nada pedindo investimentos? Seus críticos de boa e de má-fé reduzem o projeto à ligação entre as duas maiores metrópoles do país, ou seja, a um simples sistema de transporte, o que, convenhamos, já o justificaria.

Mas aos esquecidos lembremos o processo de urbanização que essa nova via proporcionará, criando em torno de seu trajeto e de suas estações novas condições de vida e moradia, desafogando os grandes centros, atraindo serviços e indústrias, ou seja, promovendo o desenvolvimento que ensejará investimentos em saúde, educação, saneamento etc.